26 de agosto de 2008

Capítulo 1: A Queda

Pássaro caído, que não sabia voar.
Vento forte vivia, mas esqueceu de respirar.
Libertou-se metade, mas continuou a pesar.
De voz fraca, descontente e sem graça cantava.
Mas do chão, sua voz já não ecoava.

Esta era a vida, daquele que desaprendeu a viver.
Preso pra sempre a limites que odiava.
Amarrado em rimas vazias, enterrado em sua própria agonia.
Nos confusos pensamentos de sua pequena cabeça,
fluíam tristes vazios de seu antes grande coração.

Será mais triste viver cego num mundo de merda,
ou conhecer a verdade e não poder alcança-la?

Era assim a vida do pássaro que olhava para o céu e já não via mais nada.



[Deixo essa impressão de mim no papel, para que ela aqui descanse.
Longe do meu coração, que ainda não desistiu de voar.]

8 de julho de 2008

Versos Velhos.

Li meus versos velhos.
De um caderno rasgado.
Envolto em poeira, e cheio de sentimentos secos.
Que ficaram ali grudados, eus que eu me esqueci de lembrar.
Parte de mim que ficou no caminho.
Parte de eu que deixei no papel.
Fato é que fiquei mais velho.

Vi que já falei muito.
Que fiz poemas gritados, num grito de eco fraco,
gritei e o som se perdeu no nada, nas minhas velhas revoltas sem ação.
Já fui um apaixonado cego, já fui um apaixonado louco,
um homem fraco demais pro mundo,
e o homem que mudaria o mundo.
Escrevia uma paixão que sabia que acabaria.
Falei de mágica sem conhecer.
Falei de mim sem me saber.
Falei de um mundo, que hoje, ainda bem, não posso mais ver.
A voz do pássaro que não saia do chão.

Quando é que olharei poemas como este, e terei a mesma sensação?
Quem eu serei depois de mais uma parte do meu destino?
Que homem olhará para trás e verá a criança que agora escreve?

O Futuro às vezes me hipnotiza.

5 de junho de 2008

Correndo a Vida.

Me impressiona a dificuldade do homem de adaptar-se a própria vida.
Estuda, casa, dinheiro, trabalho.
E pensa?
Corre, tempo, data, empresa.
E sente?
Deseja muito mais do que por tempo realiza.
Sua vida é mais que ele mesmo.
A vida sem sentido.

No sinistro ciclo vicioso de correr a vida,
só pensa com tempo,
só tempo com dinheiro,
mas com dinheiro sempre sem tempo.
Somos homens sem sentido, numa vida sem tempo,
de bolsos cheios de dinheiro.

Quem somos se não paramos para saber de nós.
A velha ligação ser-estar passou agora a ter-estar.
Quando é que viveremos com tempo para viver?

Ah! Mas vamos parar de bobagens, por que não é tempo,
de se ter tempo para a arte.
É tempo de se morrer sem ter vivido.

23 de maio de 2008

Redenção, Renascimento, Emoção e Liberdade.


E nos meus tempos mais perdidos.
No meio dos poéticos labirintos de dentro.
Enquanto olhava meu reflexo na lua.
Um poema dos mais belos chegou a mim.
Me possui com tanta força, que sou incapaz de expressar sua totalidade.
É como as ondas do mar, indo e voltando calmamente.
Como um leve vento frio na face.
O calor do sol no corpo gelado.
Terno como um abraço de mãe.
Emocionante como lágrimas felizes no rosto.
É desejado como a liberdade.
É sentir o perfume mais sublime.
Como correr sorrindo sem saber para onde.
É como ser criança rindo ingênuo novamente.
É como a paz de observar o mar.
E hipnotizante como o nascer do sol.
É estar apaixonado pela vida.

Me faz entender, por que viver para sempre.
Me faz querer nascer de novo.
E perceber que acabo de faze-lo.
É ver que a vida é inexplicavelmente bela.
Que o amor existe.
Que viver valeu a pena.
E que não importo em morrer.
Se assim eu continuar para sempre.
Me faz perceber que o infinito é hoje.
Me faz lembrar de tudo com um imenso prazer, e ter vontade de viver tudo de novo.
Das épocas em que eu era puro, e ingênuo. O mais próximo de mim que já estive.
Me faz querer gritar.
Me faz querer (e poder) voar.
Me faz querer amar.
Absurdamente e sem limites até o fim das minhas forças.
Me faz querer abraçar você, sem nem saber quem você é.
E eu posso escrever por toda a noite, sem que eu consiga explicar,
E sem que esse choro de emoção desentale.

Que fique então aqui registrado, a pequena passagem do vento da liberdade.

16 de maio de 2008

Somos Todos Um.


Somos 6 Bilhões.
Igualmente solitários
na busca por nós mesmos.
Iguais na sina e na esperança
de não saber quem somos
vivendo presos em nós
sonhando em liberdade.
Iguais nas dores que se acumulam com o tempo.
Iguais até na hipocrisia de esquecermos que somos iguais.
Iguais em querer ser diferentes.

6 Bilhões de corações carentes.
Iguais em acreditar no amor
e em desiludir-se.
Idênticos em continuar acreditando.
Iguais em se vislumbrar pelo pôr-do-sol.
Em se perder na imensidão do céu.
Estamos todos juntos querendo ficar sozinhos.

Somos todos iguais
Somos da mesma matéria
Somos todos um
Iguais em nada saber
Iguais em tudo sentir

6 Bilhões de homens perdidos
e confusos.
Perdidos na ilusão do mundo que criamos.
Iguais na busca pela verdade.
E igualmente afastados dela.
Andamos todos pelo mesmo chão.
Olhamos todos o mesmo céu.
Choramos todos as mesmas lágrimas salgadas e todas pelos mesmos motivos.
Somos os mesmos na aventura de viver
iguais na busca de um porquê.
Os mesmos nas crianças que fomos, nos homens que somos, nos velhos que seremos.

Mas, absolutamente, somos iguais em sentir.
Sentimos, porque nos aproximamos de nós.
Sentindo, porque não podemos evitar.
Sentimos, porque é o que fazemos melhor.
Sentindo, porque não há sentido em ser, se não houver o sentir.
Sentindo até que se finde
A infindável busca de si.

Sentindo até que voltemos a ver.
Somos Todos Um.

22 de abril de 2008

Paixão Trivial Nº Vinte e Última

Uma voz chorosa que tinha medo de se magoar me tirou da apatia ridícula de viver dos prazeres que acabam.
E de acreditar em mulheres sem coração.

De repente a gente acorda num susto, quando sente um calor no peito.
E abre os olhos, pra descobrir que ser feliz no mundo de mascaras é mentir a vida.
Quanto tempo perdi sem que o essencial batesse em meu peito?
Por quanto tempo esqueci que sou todo emoção?
Depois, as dores do meu, me fazem pensar nas dores dos delas,
e causadas por mim, começa o inexplicável no meu sempre quase explodir,
Coração.


Das minhas juras inúteis, dos meus amores sozinhos, da minha época comigo.
Retiro a imagem de mim mais verdadeira
que todas as imagens que construí no mentir doce das noites com elas.
Agora sou todo eu novamente.
Que eu me apaixone pela “única-que-eu-sempre-esperei”, ou não.
Mas minhas paixões por todas vocês, de agora pra sempre. Absurdo.


Me levantei mais leve essa manhã, pra ser livre de novo.

31 de março de 2008

Paixão trivial número 27.

Noite.
Entre o amargo gosto de álcool em sua boca, e uma pequena dor no pé,
dançava,
dançava porque esquecia de si.
Olhava em volta como se visse o mundo.
E via uma vaga lembrança da vida.
Achou o que procurava, disse 2 frases
(mais pronunciadas que verdadeiramente ditas),
e esqueceu-se de seu coração.

Largou o copo.
Junto com o gosto novo , de saliva sem gosto,
dois corpos se entrelaçavam, numa voracidade
que sob algum ponto de vista, talvez fosse humana.
Entre muros úmidos, em um canto de casa
seu corpo se esquecia da alma.

Fechou a calça.
Se sentou. E enquanto olhava para o céu,
procurava a si mesmo.
A viu sair.
E a momentânea solidão, lhe trouxe de volta seus vazios,
e a lembrança de inúmeros momentos como este,
e mulheres como aquela, que ele sentia raiva por não amar.
Na triste certeza da efemeridade de tudo,
concluiu que passou a deixar em mulheres suas vagas lembranças do homem que queria ser.

Foi para casa.
E ria no caminho,
quando pensava que aquela noite, e aquela mulher não sabiam o que haviam feito nele.

20 de março de 2008

Poço raso no verão.

Encontro-me estranhamente seco.
Por que fogem de mim, as antes tão minhas, palavras?
Em algum alguém dentro de mim, agora descansa minha inspiração.
Perdi minha poesia.
Por que meu cotidiano perdeu a sua.
E a beleza do mundo me parece vetada.
A minha vida limitada sem ela.

Me esqueci do que realmente importa.
E o que importa esqueceu de mim.

Talvez um dia eu volte à turbulência onde as palavras dormem,
e as resgate para que morem em minhas poesias, como fazia antes de morrer.
Mas agora estou morto, não há vida sem poesia.
E esse preto e branco parece sem fim.
Tão sem fim, quanto esse péssimo poema, que eu não queria ter de escrever.