Noite.
Entre o amargo gosto de álcool em sua boca, e uma pequena dor no pé,
dançava,
dançava porque esquecia de si.
Olhava em volta como se visse o mundo.
E via uma vaga lembrança da vida.
Achou o que procurava, disse 2 frases
(mais pronunciadas que verdadeiramente ditas),
e esqueceu-se de seu coração.
Largou o copo.
Junto com o gosto novo , de saliva sem gosto,
dois corpos se entrelaçavam, numa voracidade
que sob algum ponto de vista, talvez fosse humana.
Entre muros úmidos, em um canto de casa
seu corpo se esquecia da alma.
Fechou a calça.
Se sentou. E enquanto olhava para o céu,
procurava a si mesmo.
A viu sair.
E a momentânea solidão, lhe trouxe de volta seus vazios,
e a lembrança de inúmeros momentos como este,
e mulheres como aquela, que ele sentia raiva por não amar.
Na triste certeza da efemeridade de tudo,
concluiu que passou a deixar em mulheres suas vagas lembranças do homem que queria ser.
Foi para casa.
E ria no caminho,
quando pensava que aquela noite, e aquela mulher não sabiam o que haviam feito nele.
31 de março de 2008
20 de março de 2008
Poço raso no verão.
Encontro-me estranhamente seco.
Por que fogem de mim, as antes tão minhas, palavras?
Em algum alguém dentro de mim, agora descansa minha inspiração.
Perdi minha poesia.
Por que meu cotidiano perdeu a sua.
E a beleza do mundo me parece vetada.
A minha vida limitada sem ela.
Me esqueci do que realmente importa.
E o que importa esqueceu de mim.
Talvez um dia eu volte à turbulência onde as palavras dormem,
e as resgate para que morem em minhas poesias, como fazia antes de morrer.
Mas agora estou morto, não há vida sem poesia.
E esse preto e branco parece sem fim.
Tão sem fim, quanto esse péssimo poema, que eu não queria ter de escrever.
Por que fogem de mim, as antes tão minhas, palavras?
Em algum alguém dentro de mim, agora descansa minha inspiração.
Perdi minha poesia.
Por que meu cotidiano perdeu a sua.
E a beleza do mundo me parece vetada.
A minha vida limitada sem ela.
Me esqueci do que realmente importa.
E o que importa esqueceu de mim.
Talvez um dia eu volte à turbulência onde as palavras dormem,
e as resgate para que morem em minhas poesias, como fazia antes de morrer.
Mas agora estou morto, não há vida sem poesia.
E esse preto e branco parece sem fim.
Tão sem fim, quanto esse péssimo poema, que eu não queria ter de escrever.
13 de fevereiro de 2008
Dos Esquecidos.
A vergonha estranha de viver veio de repente, num dia normal de tv.
Numa vontade de não sei o que e um choro entalado no peito.
Quando no meio do meu sofá na metade do dia, olho para tela
e nem sei se vejo gente.
É o deposito, de restos de gente e de lixo.
E o que sobra do almoço todos os dias, enquanto converso e tomo coca cola,
virou comida.
E as batatas podres que achei feias,
viraram sopa.
As caixas do meu computador novo,
viraram casa.
E minha dignidade,
virou lixo.
Tenho vergonha de tudo que escrevo.
Mais ainda do que faço.
Acordo sempre na mesma rotina na mesma cama macia, no mesmo fazer nada,
no mesmo criticar demais.
E olhar nos olhos do homem-bicho que come e mora o mesmo lixo, me mataria no primeiro segundo, seus olhos de trabalho meus olhos de pensar,
meu coração de explodir seu coração de sonhar.
Vergonha das minhas conversas políticas em mesas de bar, em roupas quentes.
E todo o ridículo das esmolas que dou.
Uma raiva esquisita de tudo.
E o posterior topor do paradoxo de viver capitalista.
Do ter tanto com tanta vergonha, e desvontade de ter por causar a falta do ter,
mas falta vontade no desistir de tudo, por tanto tudo pra ter, e tanto mais para querer.
E no fim,meus irmãos ainda têm fome enquanto escrevo, minhas palavras enfadonhamente hipócritas não os sustem, de nada mais que vergonha de mim.
Numa vontade de não sei o que e um choro entalado no peito.
Quando no meio do meu sofá na metade do dia, olho para tela
e nem sei se vejo gente.
É o deposito, de restos de gente e de lixo.
E o que sobra do almoço todos os dias, enquanto converso e tomo coca cola,
virou comida.
E as batatas podres que achei feias,
viraram sopa.
As caixas do meu computador novo,
viraram casa.
E minha dignidade,
virou lixo.
Tenho vergonha de tudo que escrevo.
Mais ainda do que faço.
Acordo sempre na mesma rotina na mesma cama macia, no mesmo fazer nada,
no mesmo criticar demais.
E olhar nos olhos do homem-bicho que come e mora o mesmo lixo, me mataria no primeiro segundo, seus olhos de trabalho meus olhos de pensar,
meu coração de explodir seu coração de sonhar.
Vergonha das minhas conversas políticas em mesas de bar, em roupas quentes.
E todo o ridículo das esmolas que dou.
Uma raiva esquisita de tudo.
E o posterior topor do paradoxo de viver capitalista.
Do ter tanto com tanta vergonha, e desvontade de ter por causar a falta do ter,
mas falta vontade no desistir de tudo, por tanto tudo pra ter, e tanto mais para querer.
E no fim,meus irmãos ainda têm fome enquanto escrevo, minhas palavras enfadonhamente hipócritas não os sustem, de nada mais que vergonha de mim.
12 de fevereiro de 2008
Mesmo que só às vezes.
O meu Deus.
Tenho não sido eu há tanto tempo.
Tenho me prendido tanto, a tanto do que não importa.
Tenho negligenciado ajuda a tantos, e ao contrário os tenho machucado.
Tenho perdido a ingenuidade simples da natureza.
Tenho perdido o ser, só por ser.
Tenho criado descrença, em vez de fé.
Tenho feito crer que não se pode mudar o mundo.
Tenho me esquecido de mim, dentro de mim. O melhor de mim.
Tenho esquecido junto comigo, o invisível do mundo, o indispensável.
Tenho errado tendo consciência dos erros.
O meu Deus.
Mas eu ainda estou aqui.
E às vezes posso ser/sentir o vento.
E às vezes ainda posso usar as palavras como instrumento de harmonia.
E às vezes ainda consigo fazer chorar de emoção.
E às vezes ainda consigo diminuir dores.
E às vezes ainda consigo renovar fés.
E às vezes ainda consigo ensinar.
E às vezes ainda aprendo com a natureza.
E às vezes ainda consigo me sentir um com o mundo.
E às vezes ainda sou amor.
Às vezes... Só às vezes.
Mas mesmo que só às vezes.
Eu ainda sou.
E mesmo que só às vezes, vou tentar mudar o mundo.
E mesmo que só às vezes, vou amar de verdade,
acreditar sem duvidar, ajudar sem perguntar,
viver com amor, ser feliz sem porquê,
dar a mão, oferecer um abraço,
encorajar, fazer mudar, fazer sorrir,
rir, ou gargalhar.
Mesmo que só às vezes, vou acreditar que posso.
Tenho não sido eu há tanto tempo.
Tenho me prendido tanto, a tanto do que não importa.
Tenho negligenciado ajuda a tantos, e ao contrário os tenho machucado.
Tenho perdido a ingenuidade simples da natureza.
Tenho perdido o ser, só por ser.
Tenho criado descrença, em vez de fé.
Tenho feito crer que não se pode mudar o mundo.
Tenho me esquecido de mim, dentro de mim. O melhor de mim.
Tenho esquecido junto comigo, o invisível do mundo, o indispensável.
Tenho errado tendo consciência dos erros.
O meu Deus.
Mas eu ainda estou aqui.
E às vezes posso ser/sentir o vento.
E às vezes ainda posso usar as palavras como instrumento de harmonia.
E às vezes ainda consigo fazer chorar de emoção.
E às vezes ainda consigo diminuir dores.
E às vezes ainda consigo renovar fés.
E às vezes ainda consigo ensinar.
E às vezes ainda aprendo com a natureza.
E às vezes ainda consigo me sentir um com o mundo.
E às vezes ainda sou amor.
Às vezes... Só às vezes.
Mas mesmo que só às vezes.
Eu ainda sou.
E mesmo que só às vezes, vou tentar mudar o mundo.
E mesmo que só às vezes, vou amar de verdade,
acreditar sem duvidar, ajudar sem perguntar,
viver com amor, ser feliz sem porquê,
dar a mão, oferecer um abraço,
encorajar, fazer mudar, fazer sorrir,
rir, ou gargalhar.
Mesmo que só às vezes, vou acreditar que posso.
[A pior "poesia" dos ultimos tempos.]
30 de janeiro de 2008
E Sem Mais Nostalgia.
Estranho momento de ser,
é o decidir esquecer.
Decidir fraco, que por si só se desmente,
sem saber que decidir esquecer é manter a lembrança na mente.
E toda minha saudade dos eus que já fui.
é o decidir esquecer.
Decidir fraco, que por si só se desmente,
sem saber que decidir esquecer é manter a lembrança na mente.
Mas talvez seja um passo.
E quando tentar me lembrar,
só verei um espaço.
Há momentos que tem que ficar,
para que outros venham.
Adeus.
Então viro essa página
com o ponto final desse poema.
E deixo por aqui os risos de escola, beijos de namorada,
essa rima chata e sem nada.
Filosofia ao luar, pique-pega, uns erros a mais, frases de amor,
cerveja e cigarro.
E toda minha saudade dos eus que já fui.
23 de janeiro de 2008
Déjà vu.
Estou só no nada,cheio de vazios
conquistados com tantos erros traiçoeiros e imperceptíveis.
Cansado de tudo de novo.
Porque me tornei uma maldita repetição de erros,
uma estranha máquina de dor.
Alguma coisa torta em mim.
Alguma mucosa podre em meu coração.
Eu perdi, e estou de volta a mim mesmo,
mas só a mim.
Nem amigos.
Eu só.
E esta velha dor.
Me desculpem, minhas luzes não encontram mais túneis,
só fins.
Eu Metade.
Eu em mim sou dois.
Nenhum deles sou eu.
E qual deles eu sou?
Eu sou metade.
Metade um, metade outro.
Por isso não sou,
nunca fui.
Sempre estou.
De nós em mim
há um que gosto.
E outro.
E nínguem nos conhece aos dois,
porque dos dois, os dois mandam,
dos nos os eus mudam, e desmudam.
E eu não sei.
Um é luz, outro homem.
Um sou bom,
o outro sou eu.
Um sou eu,
o outro machuca.
Um fala muito,
outro age demais.
-Eu amo.
-Não sou bom o bastante para tanto,
já fiz chorar demais.
-Os erros são para que um dia não sejam mais.
-Mas eu repito, sofro e morro.
-Sou infinito,feliz e amo.
Nós não se entendem.
Cansei.
Quero ser um.
Mas ainda não, por enquanto só metade.
Um quero ser livre, e para o outro sou louco.
Outro sou preso e para o um estou doido.
Nenhum deles sou eu.
E qual deles eu sou?
Eu sou metade.
Metade um, metade outro.
Por isso não sou,
nunca fui.
Sempre estou.
De nós em mim
há um que gosto.
E outro.
E nínguem nos conhece aos dois,
porque dos dois, os dois mandam,
dos nos os eus mudam, e desmudam.
E eu não sei.
Um é luz, outro homem.
Um sou bom,
o outro sou eu.
Um sou eu,
o outro machuca.
Um fala muito,
outro age demais.
-Eu amo.
-Não sou bom o bastante para tanto,
já fiz chorar demais.
-Os erros são para que um dia não sejam mais.
-Mas eu repito, sofro e morro.
-Sou infinito,feliz e amo.
Nós não se entendem.
Cansei.
Quero ser um.
Mas ainda não, por enquanto só metade.
Um quero ser livre, e para o outro sou louco.
Outro sou preso e para o um estou doido.
10 de janeiro de 2008
Amor não arde.
"Amor é fogo que arde sem se ver", mentira!
Na verdade amor não arde.
E hoje meu coração dói,
e essa dor me ensina uma dura lição:
Jamais direi: Homens não amem.
mas sempre hei de dizer: Homens não se apaixonem.
E: Não confundam amor e paixão.
Paixão é gás venenoso que penetra, com promessas de amor,
todo meu corpo carente, e me mata "feliz", e aos poucos.
Paixão é prisão, e amor liberdade.
Paixões vão sempre te machucar,
mesmo que prometam o contrário,
mesmo que levemente,
mesmo que no fundo da alma, vai sempre doer.
Talvez por orgulho seja difícil ver uma ex-paixão apaixonada
(e por alguém que não você).
Talvez por fraqueza.
Talvez por medo.
Talvez por carência.
Talvez por falta de fé.
Fato é que paixões machucam.
E machucam por muito tempo.
Por isso digo: Amigo, não se apaixone.
Porque paixões doem como alfinetadas no âmago do ser,
e doem por sempre acabar,
acabam por estarem fadadas ao fim, por não serem infinitas,
não são infinitas por não serem amor,
e não são amor por estarem afogadas em ciúmes,
em insegurança, em dependência, em restrições e principalmente
por doerem em vez de acalentar o coração.
"Que seja eterno enquanto dure", mas dura pouco, sempre.
De novo digo: amigo não se apaixone,
e falo: Nunca diga que ama se só esta apaixonado.
Talvez você não me entenda,
mas se pudesse sentir a dor do vazio causado pela paixão,
você não me questionaria.
A dor e o amor são universais,
e a escolha também.
Esta ultima é sua.
Desista da dor largando as paixões e siga o amor.
Porque Camões não conhecia o amor,
mas sofria muito por paixão.
Na verdade amor não arde.
E hoje meu coração dói,
e essa dor me ensina uma dura lição:
Jamais direi: Homens não amem.
mas sempre hei de dizer: Homens não se apaixonem.
E: Não confundam amor e paixão.
Paixão é gás venenoso que penetra, com promessas de amor,
todo meu corpo carente, e me mata "feliz", e aos poucos.
Paixão é prisão, e amor liberdade.
Paixões vão sempre te machucar,
mesmo que prometam o contrário,
mesmo que levemente,
mesmo que no fundo da alma, vai sempre doer.
Talvez por orgulho seja difícil ver uma ex-paixão apaixonada
(e por alguém que não você).
Talvez por fraqueza.
Talvez por medo.
Talvez por carência.
Talvez por falta de fé.
Fato é que paixões machucam.
E machucam por muito tempo.
Por isso digo: Amigo, não se apaixone.
Porque paixões doem como alfinetadas no âmago do ser,
e doem por sempre acabar,
acabam por estarem fadadas ao fim, por não serem infinitas,
não são infinitas por não serem amor,
e não são amor por estarem afogadas em ciúmes,
em insegurança, em dependência, em restrições e principalmente
por doerem em vez de acalentar o coração.
"Que seja eterno enquanto dure", mas dura pouco, sempre.
De novo digo: amigo não se apaixone,
e falo: Nunca diga que ama se só esta apaixonado.
Talvez você não me entenda,
mas se pudesse sentir a dor do vazio causado pela paixão,
você não me questionaria.
A dor e o amor são universais,
e a escolha também.
Esta ultima é sua.
Desista da dor largando as paixões e siga o amor.
Porque Camões não conhecia o amor,
mas sofria muito por paixão.
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