18 de janeiro de 2010

Sobre a Chama.

Louvado seja o Eros
por gerar tamanha vivacidade turbulenta em um ser para que ele adore e duvide de sua condição,
ao mesmo tempo em que perde sua sanidade no prazer e luta contra a dor de não ter mais razão.

Louvada seja essa condição,
que é antítese pura até em metalinguagem.
Que é dual até quanto a sí mesma.

Louvada seja
pois tem o poder de confudir o poeta.

13 de janeiro de 2010

Eros é chama que arde sem se ver.

O Eros me alimenta,
me apetece,
me aquece e acaricia.
Mas nunca me basta.

Humano e carnal que é,
o vivo, mas não me concebo nele.
Apenas desfruto.
Como um brinquedo exótico para uma criança,
eu me divirto.

Longe de me completar,
Vocês o dão a mim e criam a ilusão de posse e constância.
Tolos.
Eros é chama. E apaga.

Eros é chama. E apaga.
Deve-te lembrar.

A incompletude em mim existe para sentimentos maiores.
Não se considere precipitadamente parte que me falta,
Por que em geral, você não o é.

O efêmero brilha-me os olhos.
Abre-me o sorriso e cria-me a risada.
Mas cansa-me, e cansa rápido.

No fim, não te aflijas.
Sentimentos não são como flores
(como repetem irrefletidamente os tolos).
Antes são como árvores, basta sim que se regue,
mas o crescimento nunca é assim tão rápido.

Pode te tornar parte de mim,
mas nunca te comportes como se o fosse antes que te tornes.

12 de janeiro de 2010

Eros


Alguma coisa nasce em mim,
Que traz de volta uma velha incerteza,
Que cria um medo bobo (em nós),
E me lembra aquela antiga insegurança juvenil.

Alguma coisa nasce em mim,
Que me tira o sono,
Que me rouba a mente e me faz insano, confuso.
Tanto que me impede de saber perfeitamente o que é que nasceu.

É uma antítese qualquer inventada há muito tempo,
Que é simples mas altamente complexa quando vivida.
Que cabe na calma de um abraço e na turbulência do beijo.
Que se resume no arrepiar da pele e também no bagunçar dos cabelos.

Não sei o que é,
Sei apenas da confusão de felicidade, dúvida, completude, incerteza, paz e medo,
e outros sentimentos mais que me inundam.

Sei que o que me causa isso é você.
Sei que quero mais (disso e de você).
Sei que já me tornei uma mistura disso, de você e eu.
Em uma frase?
Estou apaixonado por você.

13 de dezembro de 2009

O Ser e o Silêncio

Meu copo de chá e a momentânea total falta de som.
Disseram que o silêncio no mundo me ensina
que já não conseguimos ouvir a nos mesmos.

É essa na verdade a causa do excesso de sons cotidianos,
essa miscelânea de barulhos (que lutamos tanto para criar)
nos impede de confrontar a nos mesmos.

Evitando a vergonha de ter de fugir de nossos próprios pensar/sentir.

E assim vivemos e brindamos o mundo moderno,
com seus aparelhos mp3,
e esse viver embriagado, confuso e sem porquês.

23 de novembro de 2009

Alémfilosofia (Assimilação)

Eros/agápē/philos sofia

Penso, logo existo. Em partes, verdadeiro.
Pensar é existir. Mas existir não é só pensar.
Sentir é existir. Duas partes do mesmo conceito.

Penso e sinto, logo existo.
Mas estou pensando ao chegar a essa conclusão.
Não, não. Não devo suspeitar.
Também sinto. Pensar e sentir.

Existir.

Vinicultor que tem voz agradável da água escura ou preta e que supera.

18 de novembro de 2009

Sereno


Nada além que este vento que uiva na janela,
Que esta rua sem pedestres, ou esta manhã nublada.
Amanheci errado dias atrás.
E se mantêm a melancolia chuvosa desprovida de sentido.
Chuvisco dia e noite aqui fora.

Um sentimento assim calmo e silencioso, que me recusa a resposta sobre si.
Tão tênue e suave, que não me permite a preocupação.
Deixando-me sempre nesta pequena indiferença entre o calmo e o triste.

Mesmo que pareça chuva, largado de tudo que estou, ando apenas sereno.

10 de outubro de 2009

Nas noites da vida.

Nada deixo a fazer por achar que me arrependerei.
Pelo contrário, quando assim penso as faço.
vivo então num eterno balanço
entre o arrependimento e o orgulho
Das loucuras que já fiz.

Mas não é que eu seja louco, sou apenas normal demais para deixar a vida passar.

28 de setembro de 2009

Mediocridade de Abadá

Os relacionamentos são instituições falidas.
O amor morreu.
E continuamos nos alimentando de ilusões românticas,
que bebem de nossa fraqueza, e incapacidade de nos mantermos sozinhos,
pura e simplesmente por que não suportamos a nossa própria existência,
e as faltas de sentido daí provenientes.
Nós sugamos debilmente essa vontade de sentimento,
fugindo o tempo todo de nós mesmos,
e nos escondendo nos outros.

Então vestimos a mediocridade de abadá e chamamos isso de liberdade.


Queria eu não acreditar em minhas próprias palavras.