Aquela metáfora tão nossa, já passou, desgastou e rasgou.
As pétalas jogadas ao chão, ainda vivem?
Em alguma memória feita amarga, talvez.
O que era só nosso não é mais de ninguém.
Corrente que flui, e que seca.
O ultimo tic, do ponteiro que de cansado, parou.
A chama... há tanto tempo. Nem as cinzas se lembram.
O que é então?
Que se arrasta? Dono desses resquícios que grudam? O que é?
O frio da pele sem toque assusta, e o medo domina.
Mas, será?
Ou teriam todas as metáforas se extinguido?
E o que há para se sentir são ecos envelhecidos?
Ecos que gritam um sabor áspero, e tão tênue quanto renitente.
Mas, será?
Escorro entre essas interrogações arenosas e já erodidas,
até que caia.
E me levanto numa bravura tola de acreditar no futuro.
Tropeço, porém, no porvir além do porvir, onde ecos mais novos me espreitam
da porta deixada intencionalmente aberta, por onde entra o vento frio
que substitui o calor que agora existe apenas no passado desse futuro inventado.
Cada metáfora que morre, leva um pouco da espontaneidade
que alimenta essa fantástica gênese de significados.
E o amor meu caro, nasce sempre de alguma metáfora besta.
Porém, não é a bravura sempre tola?
Talvez na miscelânea de signos confluentes, algum se encante mais de outro,
e deixe sair do poço mais seco aquele velho cheiro quente, que hidrata o existir.
E as erosões caquéticas possam em fim terminar seu trabalho,
deixando a terra a ser batida por outros pés.
Mas, você vai se permitir?
9 de setembro de 2014
13 de maio de 2014
Vidas à venda.
Você tenta.
E tenta novamente.
Você acredita, e acredita mesmo.
Acredita que é isso que vai te fazer feliz.
Você luta, transpira, transborda.
Acredita e desiste, e acredita de novo.
Tudo por aquele novo carro.
Ou aquela casa.
Quando eu estiver lá eu serei realmente feliz.
Com isso por mês, terei tranquilidade.
E aí quem sabe?
Como não ser feliz naquele apartamento?
Afinal, aquele cara, em frente a praia, carrão na garagem...
Que mais? De que ele precisa?
Até que.
E dai?
Talvez uma casa maior?
Talvez eu precise de um quintal.
Ou será que uma TV maior?
Mas eu continuo sozinho.
Mas posso pagar umas putas.
E as melhores drogas.
Mas depois.
E dai?
Você continua. Talvez haja algo.
Talvez algo maior possa tapar esse buraco.
Talvez seja reconhecimento.
Quem são eles? Quem eles acham que eu sou?
Eu sou maior.
HÁ. Olhe como são pequenos daqui de cima.
Mas depois... de onde vem esse vazio?
Sua fome cresce, sempre duas vezes mais
que quantidade que come.
Mas quando será o bastante?
Afinal, eu sou humano e sonho.
E meu sonho é claro.
Palpável, melhor, pagável.
Visível nas melhores vitrines.
E você luta. Você transpira, e consegue!
Mas então. Produto melhor. Vitrine ao lado.
Por que não? Quem eles acham que eu sou?
Casa grande. Mulher bonita. Filhos casados.
Carro
sport. Smart TV, phone, not-so-smart-vida.
E morre. Como todos os outros.
Mas afinal, não era isso que você queria?
Lápide maior, lápide menor. Cruz de indigente.
No fim do jogo, ninguém vence.
9 de fevereiro de 2014
Felicidade
As vezes eu penso que a felicidade não é um estado que é alcançado
quando conseguimos tudo (ou algo) que queríamos. Ela seria mais um
estado intencionalmente mantido (a duras penas) no dia a dia. Seria mais
uma vontade de estar em paz consigo mesmo e com o que acontece ao seu
redor. Mas é de fato construída a duras penas, no dia a dia, nas
pequenas ações, atitudes e pensamentos. E quando penso assim, tenho
certeza de que se assim for, essa segunda felicidade é imensamente mais
consistente que a primeira. Porque não é como um castelo efêmero construído
na areia, é mais uma forte estrutura de pequenas pedras construída sobre
um pântano lentamente aterrado. Será?
5 de fevereiro de 2014
Capítulo 5 – Divina Erosão
A alma, de pedra tem de se fazer areia, e da areia em pó,
antes que possa voar com o vento.
E a erosão da alma começa pela dor.
Antes pesados e presos ao solo, pedras não lapidadas que se
defendem no orgulho.
Que se escondem no grito, que se fazem de leves, e se pintam
de paz.
Mas a verdade é interna, e não podemos fugir de dentro.
Reconhecer nossas falhas é antes um ato de coragem e
nobreza, que um sinal de fraqueza.
Pois o pior fraco é o que se pensa e faz de forte.
O peso de nossas dores e erros, nos quebra aos poucos, e é penoso,
mas nos quebrando, nos fazemos mais leves.
Ninguém é tão forte que não possua fraquezas, ninguém é tão
fraco que não possua forças.
Somos todos iguais.
Tentamos, mas não nos fazemos diferentes com dinheiro,
poder, beleza, conhecimento ou qualquer outra coisa.
Diferenciamo-nos, mas mais pelos outros (que alimentam de
forma prazerosa nossos egos) do que por nós mesmos.
Por que no fim, não importa quão belos, quão ricos, quão
cultos sejamos, ainda erramos.
Erramos, por que fazemos sofrer, a nós e aos outros.
E assim sem encontrar o fim do sofrimento, queremos sempre
mais daquilo que não nos completa. Querendo sempre mais, reiniciamos o ciclo.
Esquecemos que dentro de cada um, existe um silêncio, uma
espécie de vazio que não conhece valores, que não pesa, que não compara.
Que só respira, que só existe, que só sente o vento na face,
e ponto.
Nesse silêncio quase vazio vive uma paz eterna, que pode ser
buscada a qualquer momento, pois também não conhece o tempo.
Uma vez nesse silêncio, a névoa do pensamento se desfaz, o
peso se alivia, a dor se ameniza, e a vida parece mais simples de novo.
Podemos então, ponderar nossos atos com mais clareza, mais
leveza, e assim lentamente nos tornar mais felizes.
Vivendo a paz, trazendo a paz. Perdoando “nossas ofensas, e
a quem nos tenha ofendido”.
Trazendo calma em vez de raiva,
amor em vez de ódio,
compreensão em vez de palavras duras,
e caridade sempre.
E seguimos nos quebrando, desfazendo essa pedra que a vida mundana
criou ao redor de nós.
Até que não sejamos nada (pelo menos aos olhos das outras
pedras),
Apenas poeira, apenas ‘poeira no vento’.
E o vento, ah, esse sim não conhece limites.
03/01/2014
Capítulos Anteriores:
25 de janeiro de 2013
Des norte ar
Os tempos são novos,
A carne já nem tanto.
As dores se acumulam
lado a lado com a alegrias e felicidades de uma vida que que já se aproxima da metade.
lado a lado com a alegrias e felicidades de uma vida que que já se aproxima da metade.
Percebo que mudei, que vivi, que sonhei, chorei e sorri.
As vitórias não parecem assim tão vencidas
quando a vida se
aponta a beira do abismo do desconhecido.
A alma sofre a falta de sentido, e se desorienta no medo da
perda do por que.
Não sou velho, mas vivi o bastante para aprender quais são
os verdadeiros amigos.
Para saber que as dores e os erros vão só se acumular com o
passar dos anos.
Que o fogo sempre vira cinza sem o alimento de lenha.
Que os momentos mais esperados, passam rápido e deixam
mais nostalgia que felicidade.
O fim de uma época sempre precede o início da nova,
mas a alma
jovem anseia por direções rápidas e certezas instantâneas.
Sofremos do viver, e buscamos um alívio.
Vivemos no caos total de um poema que como esse não tem pé
nem cabeça.
A desordem é o padrão,
e o desejo de organizar a vida é mais
facilmente cumprido sem muito pensamento.
Nascemos para sermos felizes, vivemos para conquistar o
mundo.
E nos decepcionamos. Sempre. Dominar a vida e ganhar na
sociedade são objetivos frívolos.
Há algo em nós maior que isso. Há uma vontade de não sei o
que, uma vontade de paz.
De se sentir completo, de juntar as várias partes de nós que
se misturam na vivência social,
que tem sempre vários objetivos e usa várias máscaras.
Mas há algo. Uma necessidade de fazer algo que nos trará
paz.
Encontrar essa paz é um tarefa hercúlea.
Mas buscar é a chave.
Do que precisamos? Do que você precisa? Do que eu preciso?
Sinto em mim que sou mais, e posso mais do que faço.
De braços dados com tal revelação vem o sentimento de
fraqueza, vulnerabilidade e culpa.
A crença bamba de que tudo vai dar certo
às vezes tem que se
travestir de cimento, para que possamos continuar.
Continuar não até o topo, talvez até o fundo. O fundo de
nós.
E saber que se quisermos ser os melhores, talvez devamos ser
os últimos.
E nessa busca incessante por nós, encontrar o ‘que fazer’.
Não sou velho, mas vivi o bastante para ter uma direção do
que realmente me faz feliz.
Vivi por tempo demais das promessas de uma vida social
normal e bem sucedida.
Nasce em mim a muda já morta de uma necessidade de fazer
algo mais. Algo novo.
De dar de volta toda a benção que tive na minha vida, que me
fez chegar aonde queria.
Surge em mim novamente o homem que prefere os escárnios
sociais
a uma vida vivida na ilusão de felicidade e baseada no individualismo.
Nasce em mim novamente o homem que acredita que todo homem é
mestre de todo homem.
De que a mudança vem antes por palavras tenras e pela mão
gentil,
do que pelo grito de ódio e das ações violentas.
Sei agora mais que nunca, que jamais estarei satisfeito com as
vitórias normais do homem comum.
Me recompensa mais saber que ajudei, do que um cheque gordo
no fim do mês.
No fim, não sei o que nasce. Não sei o que sou. Não sei quem
serei, nem o que devo fazer.
Mas algo renasce.
Algo renasce em mim que nunca deveria ter morrido.
Algo tão nebuloso como a sensação de me dirigir para a paz
que busco.
26 de fevereiro de 2012
Tempo
Por quantos anos mais?
Ainda por quantos anos ,
eu manterei todas essas lembranças?
Eu me lembrarei de todos esses momentos?
Por quantos anos mais,
eu me lembrarei desses momentos que agora me constroem?
Eu demorarei quantos anos para esquecer alguns amigos?
Todos eles vão mesmo permanecer?
Mesmo a favor da minha vontade?
Essas paredes,
Quantas memórias elas guardam agora, que o próximo inquilino ira apagar?
O quanto da minha vida permanecerá em mim daqui a alguns anos?
Eu posso manter algo de mim agora,
ou minha memória irá me trair e apagar cada um dos segundos que me carecem tanto?
Esses sorrisos e choros foram em vão?
São além da ação do tempo?
Meus amores passarão?
Me cansarei de tudo, e quererei vida nova?
Será assim o tempo tão cruel?
Me deixará com tão pouco no fim?
Que filme passará em minha cabeça no fim?
Lembrarei desses momentos?
De que momentos lembrarei?
Lembrarei de algo?
Se esquecer tudo, quem serei eu?
Esses momentos.
São tudo que tenho.
E tudo que sou.
Peço apenas que não me retire os sorrisos sinceros.
Os abraços apertados.
Os choros sem solução (meus e seus, de todos vocês)
As noites divertidas, que não tiveram fim.
Os cafés no meio da tarde que mudaram meu dia.
Os encontros inesperados que tornaram minha vida um pouco menos ridícula.
As conversas até cedo que me fizeram um homem melhor.
Os pequenos momentos em que tive coragem de confessar meu amor.
Os grandes momentos em que tiveram coragem de confessar o amor por mim.
As risadas. As que não pude conter, que mostrei as gengivas e perdi o ar.
Tempo,
não me tire nada disso.
Por que isso, é o que sou,
e o que amo.
O que fará de mim, ó tempo?
Ainda por quantos anos ,
eu manterei todas essas lembranças?
Eu me lembrarei de todos esses momentos?
Por quantos anos mais,
eu me lembrarei desses momentos que agora me constroem?
Eu demorarei quantos anos para esquecer alguns amigos?
Todos eles vão mesmo permanecer?
Mesmo a favor da minha vontade?
Essas paredes,
Quantas memórias elas guardam agora, que o próximo inquilino ira apagar?
O quanto da minha vida permanecerá em mim daqui a alguns anos?
Eu posso manter algo de mim agora,
ou minha memória irá me trair e apagar cada um dos segundos que me carecem tanto?
Esses sorrisos e choros foram em vão?
São além da ação do tempo?
Meus amores passarão?
Me cansarei de tudo, e quererei vida nova?
Será assim o tempo tão cruel?
Me deixará com tão pouco no fim?
Que filme passará em minha cabeça no fim?
Lembrarei desses momentos?
De que momentos lembrarei?
Lembrarei de algo?
Se esquecer tudo, quem serei eu?
Esses momentos.
São tudo que tenho.
E tudo que sou.
Peço apenas que não me retire os sorrisos sinceros.
Os abraços apertados.
Os choros sem solução (meus e seus, de todos vocês)
As noites divertidas, que não tiveram fim.
Os cafés no meio da tarde que mudaram meu dia.
Os encontros inesperados que tornaram minha vida um pouco menos ridícula.
As conversas até cedo que me fizeram um homem melhor.
Os pequenos momentos em que tive coragem de confessar meu amor.
Os grandes momentos em que tiveram coragem de confessar o amor por mim.
As risadas. As que não pude conter, que mostrei as gengivas e perdi o ar.
Tempo,
não me tire nada disso.
Por que isso, é o que sou,
e o que amo.
O que fará de mim, ó tempo?
29 de dezembro de 2011
Votos
Em 2012 eu não te desejo nada.
Não te desejo prosperidade, saúde ou amor.
Porque nada disso poderá garantir a você um bom ano.
Porque nada disso pode garantir que você seja feliz.
Então, eu desejo que você tenha coragem para olhar para si.
Que você veja quem você realmente é (inclusive e especialmente para você mesmo).
Depois, desejo que tenha ainda mais coragem para perceber tudo aquilo em você que não te faz bem (ou não o faz a alguém).
E então, desejo a coragem maior de tentar mudar a si.
Só assim, você terá realmente um ano bom, pois será de fato feliz
(independente da situação que qualquer um poderia vir a te desejar).
E naturalmente vai acabar espalhando um pouco dessa felicidade por aí,
Fazendo o mundo um lugar pouco menos frio.
Um ano de lapidação para você (e para mim) é meu desejo!
Sejamos felizes!
Agora
se você é muito medroso para olhar para si, então realmente te desejo
todo o dinheiro do mundo, uma saúde perfeita, e um(a) companheiro(a)
forte.
Porque sem essa coragem primária, você com certeza vai precisar de todo apoio que conseguir.
Feliz ano novo!
19 de novembro de 2011
Aos amores que valem a pena
Algumas pessoas medem a qualidade de seu relacionamento pela intensidade da força da paixão. E isso é importante, é claro.
Outras pessoas medem pela quantidade de afeto recebido. Isso também é importante.
Outras ainda pela qualidade do sexo. Que é indispensável.
Ou até pela possibilidade de planos de vida em comum.
Mas eu, em vez de escolher pelas turbulências que podem facilmente ser encontradas pela vida afora,
prefiro avaliar meus relacionamento pela intensidade da paz que sinto em companhia do alguém.
Porque existem várias qualidades em um relacionamento, vários sentimentos envolvidos, que tem que estar ali.
Mas a paz, de um amor intenso,
é na mesma medida rara, e indescritivelmente prazerosa.
Porque dai, derivam-se o bom sexo, o afeto despretensioso, o entrelaçamento de vidas e até a paixão ardente.
É sempre a melhor escolha.
Dediquem-se apenas aos amores que valem a pena!
Outras pessoas medem pela quantidade de afeto recebido. Isso também é importante.
Outras ainda pela qualidade do sexo. Que é indispensável.
Ou até pela possibilidade de planos de vida em comum.
Mas eu, em vez de escolher pelas turbulências que podem facilmente ser encontradas pela vida afora,
prefiro avaliar meus relacionamento pela intensidade da paz que sinto em companhia do alguém.
Porque existem várias qualidades em um relacionamento, vários sentimentos envolvidos, que tem que estar ali.
Mas a paz, de um amor intenso,
é na mesma medida rara, e indescritivelmente prazerosa.
Porque dai, derivam-se o bom sexo, o afeto despretensioso, o entrelaçamento de vidas e até a paixão ardente.
É sempre a melhor escolha.
Dediquem-se apenas aos amores que valem a pena!
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