28 de junho de 2010

Meu passatempo predileto são os momentos com você.

As vezes eu me pego pensando em você.
Só as vezes.
Como naqueles segundos cada vez mais frequentes e sutis como você,
aqueles em que não sabemos em que lado da cama tinhamos dormido.

E ao lembrar tais momentos,
eu afirmo: você é linda, e que te quero muito.

Percebendo segundos depois, que a tolice que achava bela, e te disse
era simplesmente incapaz de expressar a perfeição daquele momento com você.

Mas me alegro quando percebo que você é maior que qualquer sentimento que eu poderia ter expressado.

E sorrio então, por saber que é você quem tenho comigo.

7 de junho de 2010

Xeque-mate

A linha que divide o real e o imaginário,
É tão palpável quanto a do equador.
A beira da loucura
a mente anseia por uma normalidade que nunca existiu.
Percebendo que esteve sempre nesse mesmo instante antes de enlouquecer,
Apenas protegida pelo hábito de pensar logicamente.

Mas paremos com essa ingenuidade juvenil
de cantar romântica a loucura.
É feroz e dominadora,
rápida, cruel,
e sem remorsos.

Vil o bastante para nunca fazer com que ninguém enlouqueça,
Ela joga xadrez com a realidade,
E enfim põe em xeque a razão,
Deixando a esta a ridícula e resignada ação de derrubar seu próprio rei.

Mas antes da desistência a razão sofre de sua própria incoerência,
dessa angústia, morre uma lógica “de tudo ter lógica”,
e a identidade morre com ela.
O desespero da inutilidade do raciocinar, só pode por fim ceder.
Criando um circulo eterno de tentar dar sentindo a uma ilusão.

De certo me dirão: “Ora, mas já fazemos isso a séculos”
Todo aquele que sofre da ilusão de viver, tenta dar um sentido a sua própria loucura.
Sim, mas de pronto responderei: “A sina do louco, é não poder parar de pensar”
Deixar isso pra lá, não é uma opção.
Nem tirar uma pausa pro cigarro.
É uma hiperatividade eterna, e sem pausas.

Estou em xeque.
Não quero derrubar meu rei.

7 de maio de 2010

Volátil

A poesia é mentira que o poeta inventa
pra fingir a si mesmo,
quando deixa no papel qualquer momento.
Na esperança desonesta de que o defina.

E mente insistente em palavras belas ou não.
Querendo ele mesmo ser palavra,
quando na verdade é vazio.

Olha pra trás e percebe-se tantos em tantos momentos,
que já não é ninguém.

E a vida essa repetição de agoras,
que para ser vivida precisa ser inventada
em passado, presente e esperança,
continua passando.

E o poeta, egoísta que vive
tenta desesperadamente prende-la
no segundo que começa a escrever
sem saber que o que escrevia acabou de passar.

Desgraçado seja, o pobre coitado
que nem desistir consegue, dessa eterna e enfadonha
repetição da tentativa de reter a vida.

18 de março de 2010

Para suportar existir.

O que faz valer a pena estar vivo?
Jogados nessa miscelânea de eventos, em algum momento
o espelho nos pergunta:
O que faz valer a pena estar vivo?

Sobrecarga de trabalho.
Falta de tempo.
Pouco descanso.
Mas vale a pena?

O quê?
Pergunto à aquele vidro estranho que me repete.
O quê? Senão os ideais
Ele responde.
São, sempre foram e serão
Eles que movem essa miséria que é a vida humana.

Pouco palpáveis.
Arriscados.
Vêm sempre cheio de dúvidas e medos.

Mas o quê? Senão os ideais mais utópicos que nos completam.
Nos dão um porquê.
Uma causa qualquer para suportar existir.

Ora meu caro.
A TV ligada me respondeu,
Devia lucrar.
Devia pensar em meus futuros filhos, e em alimentá-los.
Devia comprar do melhor e apenas assim viver melhor.

Mas meu reflexo não me deixou mentir.
Melhor vive aquele que tentou, morreu tentando,
ou apenas formulou um ideal qualquer.

O quê? Senão a utopia.
Terminou dizendo meu espelho.

Essencial mesmo, são os sonhos.
Suspirou minha criança que tinha vindo assistir.

6 de março de 2010

Que fazer?

Revendo a fé, reavendo conceitos, revirando-me.
Me remexo tanto, que nessa confusão de existir perco alguns pedaços de mim,
só para acha-los depois e não saber mais de onde vieram.

Procuro em mim, o que falta no mundo.
Na utopia ingênua de que possa mudar qualquer coisa.
Ainda assim renitente repito meu "devo fazer"
sempre sem saber o que.

Os buracos deixados no mundo não me contém.
Não me tocam. Mas me angustiam.
Nesse quefazer pouco definido, ainda falta a definição de mim.

Que se fará primeiro? Eu ou a solução do mundo?
Minha ação poderá esperar o meu rencontro de mim?
Sonho que nasceu morto? Ingenuidade adolescente?

Ô Deus, ando tão perdido, na procura de seu encontro.

Mas ainda sonho toda noite com minha utopias.
E em minha cama quente sempre acho que devo tentar.
Mas o vento frio da vida que criamos, sempre me lembra a minha falta de coragem.

Ô Deus, ando tão confuso, nessa ambiguidade entre sobreviver e viver pelo mundo.

Mas ainda sonho toda noite com minha utopias.
Acredito, mesmo sem lógica ou razão, que serei capaz daquilo que eu ainda nem sei.
e o mesmo medo sempre me acorda.

Ô Deus, ando tão sonhador, e tão imóvel.
Ô Deus...

18 de fevereiro de 2010

A confusão da simplicidade que nos faz feliz.

Em que vida?
Eu me joguei,
Ou me guardei?
Eu não sei. Mas...

Me Perdi.
Me guardei em mim?
Não sei...

Só sei que cresci.
Sei que sou talvez uma sombra longínqua
do eu que sou de verdade.

4 de fevereiro de 2010

Talvez Poesia

Por quê?

Se em meio a tanto caos e desgraça vive o homem,
(e vive cego feliz)
teria eu que nascer com a pior desventura, sentir.

Se nessa vida tudo acaba (nos ensinam)
teria eu que entender que somos pra sempre?

Nesse mundo de pontos finais,
teria eu que nascer interrogação?

Essa estranha marca de linguagem que sou,
miscelânea de sentimentos em tufão que rege meu coração,
o tambor.
Que toca renitente uma nota só,
amaldiçoado a jamais fazer música ou poesia que consiga explicar
o seu sem razão sentir.

Estou fadado eu, interrogação a viver da minha companheira,
a potência de fala, reticências?

Talvez. (palavra dotada de toda angústia do quase responder)
Imagem de Ítalo Agra

26 de janeiro de 2010

Só por hoje?

Sem poesias nem reflexões por hoje,
Quero apenas o humano normal, raso e sem brilho.
Quero só a leveza da existência sem porquês.
Só por hoje. Por hoje é só futilidade, e frivolidades.

Necessito de férias de mim mesmo e do mundo.
Desejo o vazio interior.
Chega de turbulências.
Chega de questões.

Me deixe em paz.