6 de março de 2010

Que fazer?

Revendo a fé, reavendo conceitos, revirando-me.
Me remexo tanto, que nessa confusão de existir perco alguns pedaços de mim,
só para acha-los depois e não saber mais de onde vieram.

Procuro em mim, o que falta no mundo.
Na utopia ingênua de que possa mudar qualquer coisa.
Ainda assim renitente repito meu "devo fazer"
sempre sem saber o que.

Os buracos deixados no mundo não me contém.
Não me tocam. Mas me angustiam.
Nesse quefazer pouco definido, ainda falta a definição de mim.

Que se fará primeiro? Eu ou a solução do mundo?
Minha ação poderá esperar o meu rencontro de mim?
Sonho que nasceu morto? Ingenuidade adolescente?

Ô Deus, ando tão perdido, na procura de seu encontro.

Mas ainda sonho toda noite com minha utopias.
E em minha cama quente sempre acho que devo tentar.
Mas o vento frio da vida que criamos, sempre me lembra a minha falta de coragem.

Ô Deus, ando tão confuso, nessa ambiguidade entre sobreviver e viver pelo mundo.

Mas ainda sonho toda noite com minha utopias.
Acredito, mesmo sem lógica ou razão, que serei capaz daquilo que eu ainda nem sei.
e o mesmo medo sempre me acorda.

Ô Deus, ando tão sonhador, e tão imóvel.
Ô Deus...

18 de fevereiro de 2010

A confusão da simplicidade que nos faz feliz.

Em que vida?
Eu me joguei,
Ou me guardei?
Eu não sei. Mas...

Me Perdi.
Me guardei em mim?
Não sei...

Só sei que cresci.
Sei que sou talvez uma sombra longínqua
do eu que sou de verdade.

4 de fevereiro de 2010

Talvez Poesia

Por quê?

Se em meio a tanto caos e desgraça vive o homem,
(e vive cego feliz)
teria eu que nascer com a pior desventura, sentir.

Se nessa vida tudo acaba (nos ensinam)
teria eu que entender que somos pra sempre?

Nesse mundo de pontos finais,
teria eu que nascer interrogação?

Essa estranha marca de linguagem que sou,
miscelânea de sentimentos em tufão que rege meu coração,
o tambor.
Que toca renitente uma nota só,
amaldiçoado a jamais fazer música ou poesia que consiga explicar
o seu sem razão sentir.

Estou fadado eu, interrogação a viver da minha companheira,
a potência de fala, reticências?

Talvez. (palavra dotada de toda angústia do quase responder)
Imagem de Ítalo Agra

26 de janeiro de 2010

Só por hoje?

Sem poesias nem reflexões por hoje,
Quero apenas o humano normal, raso e sem brilho.
Quero só a leveza da existência sem porquês.
Só por hoje. Por hoje é só futilidade, e frivolidades.

Necessito de férias de mim mesmo e do mundo.
Desejo o vazio interior.
Chega de turbulências.
Chega de questões.

Me deixe em paz.

18 de janeiro de 2010

Religio


É tempo de religar.

Palavras simples, para mais uma previsão qualquer daquele que sempre previsto tem mania de surpreender e assustar. O Futuro.

Antes que seja então, aquela que sempre se tem, e sempre se quer mas nunca se preenche e por infeliz que somos nos guia. A vontade.

Por impossibilidade, nem um nem outro então, que fique apenas aquele segundo simples perdido entre tantos outros segundos, que pretende mudar os que o sucedem, o momento do desígnio. A ação.

É tempo de religar.
Religuemo-nos. Reflitamos. Reviremo-nos. Encontremo-nos.

Sobre a Chama.

Louvado seja o Eros
por gerar tamanha vivacidade turbulenta em um ser para que ele adore e duvide de sua condição,
ao mesmo tempo em que perde sua sanidade no prazer e luta contra a dor de não ter mais razão.

Louvada seja essa condição,
que é antítese pura até em metalinguagem.
Que é dual até quanto a sí mesma.

Louvada seja
pois tem o poder de confudir o poeta.

13 de janeiro de 2010

Eros é chama que arde sem se ver.

O Eros me alimenta,
me apetece,
me aquece e acaricia.
Mas nunca me basta.

Humano e carnal que é,
o vivo, mas não me concebo nele.
Apenas desfruto.
Como um brinquedo exótico para uma criança,
eu me divirto.

Longe de me completar,
Vocês o dão a mim e criam a ilusão de posse e constância.
Tolos.
Eros é chama. E apaga.

Eros é chama. E apaga.
Deve-te lembrar.

A incompletude em mim existe para sentimentos maiores.
Não se considere precipitadamente parte que me falta,
Por que em geral, você não o é.

O efêmero brilha-me os olhos.
Abre-me o sorriso e cria-me a risada.
Mas cansa-me, e cansa rápido.

No fim, não te aflijas.
Sentimentos não são como flores
(como repetem irrefletidamente os tolos).
Antes são como árvores, basta sim que se regue,
mas o crescimento nunca é assim tão rápido.

Pode te tornar parte de mim,
mas nunca te comportes como se o fosse antes que te tornes.

12 de janeiro de 2010

Eros


Alguma coisa nasce em mim,
Que traz de volta uma velha incerteza,
Que cria um medo bobo (em nós),
E me lembra aquela antiga insegurança juvenil.

Alguma coisa nasce em mim,
Que me tira o sono,
Que me rouba a mente e me faz insano, confuso.
Tanto que me impede de saber perfeitamente o que é que nasceu.

É uma antítese qualquer inventada há muito tempo,
Que é simples mas altamente complexa quando vivida.
Que cabe na calma de um abraço e na turbulência do beijo.
Que se resume no arrepiar da pele e também no bagunçar dos cabelos.

Não sei o que é,
Sei apenas da confusão de felicidade, dúvida, completude, incerteza, paz e medo,
e outros sentimentos mais que me inundam.

Sei que o que me causa isso é você.
Sei que quero mais (disso e de você).
Sei que já me tornei uma mistura disso, de você e eu.
Em uma frase?
Estou apaixonado por você.